Joooder! Ostias!! No lo puedo creer!
Fazendo justiça à fama de croniqueira de viagens, conto-vos que estive em Puelto Lico, o que já não é novidade para ninguem. A novidade está em que não parou de chover e tive frio! Frio! Para além de não ter encontrado puertoriqueño que me aquecesse, depois do primeiro dia de calor, não parou a tormenta. E não dancei. Parece sina ou castigo. 10 dias em Cuba e salsa, só ouvida no corredor do hotel. 10 dias em Porto Rico e salsa, só nos corredores do supermercado.
E ainda mais ESTA
A aventura começou ainda em Portugal. O táxi marcado na noite anterior não aparece. Vai de ir rua acima e rua abaixo, a procura de um táxi, evitando a todo o custo as cagadelas dos pombos para não sujar nem as malas nem os sapatos.
Chego por fim ao aeroporto. Tem o ESTA? Não, não tenho - diziam que não era preciso imprimir a autorização de entrada nos EUA porque fica no sistema. Não posso deixá-la fazer o check-in sem o ESTA. Mas eu tenho o ESTA. Mas eu tenho que vê-lo em papel. Mas eu não tenho o papel. Não pode fazer o check-in. Tenho que fazer o check-in. Pode ir a casa buscar o papel. E o avião espera por mim? Não. Entao não posso ir a casa. Entao não pode fazer o check-in. Acabaram por me cobrar 20 euros por ESTA merda, para fazer um papel novo que só foi preciso em Portugal.
Se não deixei que um porco constipado que me impedisse de viajar, também não ia ser uma lesma ensonada que se ia meter no meu caminho.
Coño... e onde se meteram todos?
Chego a Porto Rico onde se supõe um comité de boas-vindas efusivo. Nada. Depois de passar uma hora no controlo a subornar o polícia com pastéis de nata para que não me ficasse com as garrafas de vinho do porto, nada. Depois de ver todas as entradas e saídas do aeroporto, nada. Resolvo ligar. Os telemóveis não funcionam. Nada. Espero. Nada. Comeco a ler as placas a minha volta para ver se não me tinha enganado no país. Nada. Salvou-me um chico guapo que me emprestou o telefone.
Por telefone fiquei a saber que a casa para onde ia ficava a hora e meia de distância de San Juan... no sul... no campo... no meio das cabras... e das putas das rãs que não se calam a noite toda. Rã que aqui se chama rã coqui e que já tem estatuto de vaca sagrada. Coqui porque é o que passa a noite toda a chilrear, grasnar ou cantar, dependendo da quantidade de vinho do porto que se tenha tomado.
Ai Mama! Que flaca!
Porto Rico é o exemplo de América Latina mais lavadinha que já vi, ou melhor, que já cheirei. E a mais obesa. E a mais América do Norte. Desde um McDonald's e um Burguer King a cada esquina, ao talk-show da manhã, dedicado ao suicídio e às depressões, patrocinado pelo Panadol, à esquizofrenia do controlo policial. Não havia sítio onde fosse onde não me perguntassem tudo, até que comecei a dizer quanto calçava, qual o meu prato favorito e que cor-de-rosa não me fica lá muito bem. Apesar de ser cara, descaracterizada, a ilha tem muito boa gente. Conquistavam o meu coração quando me perguntavam vezes sem conta, como é que consegues estar tão magra?? Além do sorriso, até a celulite se esticava toda. Adoro-te Porto Rico!!!
Quero ficar de quarentena!
Só me senti verdadeiramente borícua quando dei por mim a enfardar batatas fritas com coca-cola às 11h00. No único dia que consegui ir à praia, pavonear as estrias europeias e espalhar a minha crise dos 30 por águas caribenhas. Mas mais uma vez, aprendo mais com as partidas e com os regressos. Parece que há uma nova estirpe de vírus mexicano, com pelo menos 2 casos confirmados em Portugal. Consequências graves, uma vez que os dois tiveram morte súbita. Este vírus dá pelo nome de cobardia que degenera em aldrabice crónica e que mata. Mata qualquer vontade em mim de olhar para os seres enfermos. Depois de descobrir que tanto o mexicano, que ainda há uns dias cortava as veias, fazendo-me promessas de amor eterno, como os dois protagonistas da sequela portuguesa, têm casamento marcado, resta-me a pergunta: amigos, tenho cara de idiota?
Já deixei de roer as unhas e já uso saltos altos. Isto, só por si, já me devia dar o livre-trânsito para o mundo dos adultos. O que safa aqui esta princesa é que nunca foi de príncipes encantados (não que não vos goste de ver em collants), nem de cantar ou ir em cantigas. Também nunca foi apologista de toda a verdade, de grandes verdades. Toda a verdade pode ser crueldade. Mas e umas pequenas verdades, hein?
Mas há-que não generalizar. E da mesma forma que o tempo nos mostra tudo que precisamos saber, também nos dá a conhecer pessoas especiais. Adultos ou crianças. Um adulto na partida e uma criança no regresso. Um dos 9 cogumelos vai ser baptizado. Vou ser madrinha. Espero não traumatizar a criança. O que vale é que já tem idade para não se engasgar com água benta.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
f***-**, roubaram-me a ideia!
Depois de dias de amarga produção académica, não me resta paciência para escrever, ainda que me sobrem as ideias. Partindo da ideia idiota que vi hoje na Visão - "Notícias que gostávamos de dar", inicio hoje a rubrica "Coisas que gostava de ter escrito mas não estou inspirada" ou "Coisas que vou fazer um dia destes" ou ainda, "f***-**, roubaram-me a ideia!".
Quero só explicar o porquê chamar idiota à secção da Visão. Escrevem grandes títulos com notícias falsas, boas, mas falsas. No canto, em pequenino colocam a legenda... notícias que gostávamos de dar. Nos primeiros segundos levam os leitores mais distraídos a pensar: mas que raio? então e eu não sabia de nada? Mas esta é a menos grave das consequências. Imaginem os pais da Maddie a ler que tinham encontrado a menina ou um seropositivo a pensar que era desta que tinha a cura para a sida. Imaginem-os agora a ler a legenda pequenina. Não se faz.
Deixo-vos com o aperitivo do texto em anexo "as mensagens de telemóveis deixaram-nos reduzidos a cuspidores de rajadinhas de emoções condensadas". Dedicado a todas as minhas relações virtuais. E a quem não percebe porque uso luvas sem dedos.
Leiam até ao fim que a sugestão é boa. Depois conto-vos como foi.
Qwert e o flutuário par ao cérebro
Boas flutuações.
Quero só explicar o porquê chamar idiota à secção da Visão. Escrevem grandes títulos com notícias falsas, boas, mas falsas. No canto, em pequenino colocam a legenda... notícias que gostávamos de dar. Nos primeiros segundos levam os leitores mais distraídos a pensar: mas que raio? então e eu não sabia de nada? Mas esta é a menos grave das consequências. Imaginem os pais da Maddie a ler que tinham encontrado a menina ou um seropositivo a pensar que era desta que tinha a cura para a sida. Imaginem-os agora a ler a legenda pequenina. Não se faz.
Deixo-vos com o aperitivo do texto em anexo "as mensagens de telemóveis deixaram-nos reduzidos a cuspidores de rajadinhas de emoções condensadas". Dedicado a todas as minhas relações virtuais. E a quem não percebe porque uso luvas sem dedos.
Leiam até ao fim que a sugestão é boa. Depois conto-vos como foi.
Qwert e o flutuário par ao cérebro
Boas flutuações.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Twinkle Twinkle Little Wrinkle
Hoje tenho que escrever. Não é porque o espírito natalício que me salte na veia, mas porque me esqueci do saco com os livros e os jornais na rua e já li tudo o que tenho cá por casa. Também me convém ocupar os dedos e a boca, para ver se não cedo à tentação e ataco o paquistanês mais próximo, em busca de umas passitas de nicotina (e já estou atulhada de batata doce).
"Si, cariño, dáme dáme... ese regalo que está bajo el arból"
Ainda a propósito do natal. Não sei se as pessoas que vi há pouco deitadas no chão do Zimbabué, se andam a treinar para espreitar debaixo da árvore à procura das prendas, se sonham com uma filhoz ou rabanada imaginária, se hei-de acreditar no jornalista quando diz que já não se levantam porque lhes falta a força, porque lhes falta a comida. E não é preciso ir tão longe, basta subir aqui a rua.
Atenção, não tenho absolutamente nada contra a hipocrisia do natal, pelo contrário. Gosto bastante. Gosto das luzes, das prendas, do bacalhau e do recheio do peru. E dos alperces secos. E dos espanhóis. Se algum dia, por algum acidente no universo, a minha descendência for mais do que 9 sobrinhos e 17 pombos, vamos ser espanhóis. O "Si, cariño, dáme dáme... ese regalo que está bajo el arból" só vai acontecer no dia de reis. Aí sim, foi quando a criança recebeu os presentes, com toda a certeza torcida com frio e com o cheiro da merda da vaca há tanto dia enfiada no estábulo. Além de que, em Janeiro já começaram os saldos...
O mistério divino da pantufa aquecida
Como já se nota, depois do telejornal de hoje, fiquei com algumas dúvidas existenciais. Será que a crise chegou ao Vaticano? Será que o papa dorme de pantufa Prada e botija para aquecer o santo pé? Será que a sua fé diminui por ser aquecida? Então porque raio os velhotes de trás-os-montes tem que antecipar a sua missa do galo ou nem a fazer, devido ao frio que faz na igreja? Já pensaram que se as igrejas fossem um sítio acolhedor, talvez tivessem mais clientes, ai!, crentes?
Twinkle Twinkle Little Wrinkle
Desde que soube que ia fazer 30 anos, comecei à procura de uma razão para me deprimir. Isto porque já nem é preciso dizer que tenho um certo gosto por dramas e clichés, todos sabem. Não será por acaso que a data do meu aniversário coincide com a comemoração do dia em que Van Gogh corta sua orelha esquerda, a leva para um bordel e a dá a uma prostituta chamada Raquel.
Quero ter a minha própria crise dos 30. Não percebo como não me ocorreu de imediato apelar à minha família. Em apenas 40 escassos minutos encontraram-me as rugas e as olheiras, chamaram-me velha, cansada e ainda levei umas pancadinhas nas costas a relembrar que os trinta estavam aí. Desta vez safei-me do TÁS GOOOOORDA.
No dentista explicam-me que não estou a ir para mais nova. No trabalho dizem que tenho muita bagagem e perguntam-me como era, quando eu era nova. À porta dos concertos perguntam as horas a esta senhora...
Mas que porrrrrra! Mas afinal quem são os trinta que estão aí, que toda a gente de diz que me batem à porta?? Os trinta ladrões? Os trinta anões? Os trinta milhões??
A volta ao meu mundo em 21900 dias
Não quero saber quantos anos tenho ou faço. Quero sim saber é o que faço com cada dia que passa. Em teoria tenho para viver pelo menos duas vezes mais do que já vivi até agora. Cerca de 21900 dias.
Amigas dizem que é aos trinta anos (ou seja, aos 10950 dias) que as mulheres sabem o que querem. Esta sabe e fez uma lista. Porque quero viver com todos os luxos a que tenho direito: tempo, verdade, coragem e vestidos com o sapatinho a condizer. Sem medo, esta é a minha lista de desejos:
- Quero aprender a patinar e quero uns patins. Porque ando a patinar há muito tempo sem patins.
- Quero ir a uma marisqueira e comer até lamber os dedos e arrotar a cerveja. Para comemorar com pompa e circunstânia a minha possível futura entrada nos apreciadores de marisco, depois de trinta anos de ausência.
- Quero aprender a pintar as unhas sem me atirar de lado para dentro da banheira, praguejar e colar os dedos das mãos aos dos pés.
- Quero ir à ópera pela segunda vez. Ao ballet, ao teatro, às exposições, às feiras. E ao circo... quero ir ao circo pela primeira vez.
- Quero brilhar no escuro com o meu novo aparelho nos dentes.
- Quero curar a minha procrastinação crónica, ainda que já tenha ouvido chamar nomes mais bonitos à preguiça.
- Quero iniciar um movimento social, com um manifesto anti-projecção de saliva fermentada. Objectivo: banir, punir as excreções e secreções abundantes, sonoras, protegendo-nos de escorregarmos numa qualquer cuspidela e fracturar os dois braços.
- Quero afugentar das janelas os pombos e os homens das obras.
- Quero recitar novamente em coro vezes e vezes o poema de Augusto Gil da chuva e da neve, onde batem leve levemente. Se tiveram que o decorar, acusem-se!
- Quero uma ficha tripla para ligar a TV e o DVD ao mesmo tempo.
- Quero ir a Paris, Porto Rico, Nova Iorque, Argélia, Israel, Praga, Viena, México, Sicília, Uruguai, Argentina, Sevilha, Roma, Atenas, Indía, Viana do Castelo, Marrocos, Brasil, Goa e Macau, Angola, Moçambique. Já fui um conquistadoooor!
E foi assim que se passaram mais 2 horas de um dos 10950 dias, procrastinando a tese e a roupa por passar.
Valham-me os anos bissextos.
"Si, cariño, dáme dáme... ese regalo que está bajo el arból"
Ainda a propósito do natal. Não sei se as pessoas que vi há pouco deitadas no chão do Zimbabué, se andam a treinar para espreitar debaixo da árvore à procura das prendas, se sonham com uma filhoz ou rabanada imaginária, se hei-de acreditar no jornalista quando diz que já não se levantam porque lhes falta a força, porque lhes falta a comida. E não é preciso ir tão longe, basta subir aqui a rua.
Atenção, não tenho absolutamente nada contra a hipocrisia do natal, pelo contrário. Gosto bastante. Gosto das luzes, das prendas, do bacalhau e do recheio do peru. E dos alperces secos. E dos espanhóis. Se algum dia, por algum acidente no universo, a minha descendência for mais do que 9 sobrinhos e 17 pombos, vamos ser espanhóis. O "Si, cariño, dáme dáme... ese regalo que está bajo el arból" só vai acontecer no dia de reis. Aí sim, foi quando a criança recebeu os presentes, com toda a certeza torcida com frio e com o cheiro da merda da vaca há tanto dia enfiada no estábulo. Além de que, em Janeiro já começaram os saldos...
O mistério divino da pantufa aquecida
Como já se nota, depois do telejornal de hoje, fiquei com algumas dúvidas existenciais. Será que a crise chegou ao Vaticano? Será que o papa dorme de pantufa Prada e botija para aquecer o santo pé? Será que a sua fé diminui por ser aquecida? Então porque raio os velhotes de trás-os-montes tem que antecipar a sua missa do galo ou nem a fazer, devido ao frio que faz na igreja? Já pensaram que se as igrejas fossem um sítio acolhedor, talvez tivessem mais clientes, ai!, crentes?
Twinkle Twinkle Little Wrinkle
Desde que soube que ia fazer 30 anos, comecei à procura de uma razão para me deprimir. Isto porque já nem é preciso dizer que tenho um certo gosto por dramas e clichés, todos sabem. Não será por acaso que a data do meu aniversário coincide com a comemoração do dia em que Van Gogh corta sua orelha esquerda, a leva para um bordel e a dá a uma prostituta chamada Raquel.
Quero ter a minha própria crise dos 30. Não percebo como não me ocorreu de imediato apelar à minha família. Em apenas 40 escassos minutos encontraram-me as rugas e as olheiras, chamaram-me velha, cansada e ainda levei umas pancadinhas nas costas a relembrar que os trinta estavam aí. Desta vez safei-me do TÁS GOOOOORDA.
No dentista explicam-me que não estou a ir para mais nova. No trabalho dizem que tenho muita bagagem e perguntam-me como era, quando eu era nova. À porta dos concertos perguntam as horas a esta senhora...
Mas que porrrrrra! Mas afinal quem são os trinta que estão aí, que toda a gente de diz que me batem à porta?? Os trinta ladrões? Os trinta anões? Os trinta milhões??
A volta ao meu mundo em 21900 dias
Não quero saber quantos anos tenho ou faço. Quero sim saber é o que faço com cada dia que passa. Em teoria tenho para viver pelo menos duas vezes mais do que já vivi até agora. Cerca de 21900 dias.
Amigas dizem que é aos trinta anos (ou seja, aos 10950 dias) que as mulheres sabem o que querem. Esta sabe e fez uma lista. Porque quero viver com todos os luxos a que tenho direito: tempo, verdade, coragem e vestidos com o sapatinho a condizer. Sem medo, esta é a minha lista de desejos:
- Quero aprender a patinar e quero uns patins. Porque ando a patinar há muito tempo sem patins.
- Quero ir a uma marisqueira e comer até lamber os dedos e arrotar a cerveja. Para comemorar com pompa e circunstânia a minha possível futura entrada nos apreciadores de marisco, depois de trinta anos de ausência.
- Quero aprender a pintar as unhas sem me atirar de lado para dentro da banheira, praguejar e colar os dedos das mãos aos dos pés.
- Quero ir à ópera pela segunda vez. Ao ballet, ao teatro, às exposições, às feiras. E ao circo... quero ir ao circo pela primeira vez.
- Quero brilhar no escuro com o meu novo aparelho nos dentes.
- Quero curar a minha procrastinação crónica, ainda que já tenha ouvido chamar nomes mais bonitos à preguiça.
- Quero iniciar um movimento social, com um manifesto anti-projecção de saliva fermentada. Objectivo: banir, punir as excreções e secreções abundantes, sonoras, protegendo-nos de escorregarmos numa qualquer cuspidela e fracturar os dois braços.
- Quero afugentar das janelas os pombos e os homens das obras.
- Quero recitar novamente em coro vezes e vezes o poema de Augusto Gil da chuva e da neve, onde batem leve levemente. Se tiveram que o decorar, acusem-se!
- Quero uma ficha tripla para ligar a TV e o DVD ao mesmo tempo.
- Quero ir a Paris, Porto Rico, Nova Iorque, Argélia, Israel, Praga, Viena, México, Sicília, Uruguai, Argentina, Sevilha, Roma, Atenas, Indía, Viana do Castelo, Marrocos, Brasil, Goa e Macau, Angola, Moçambique. Já fui um conquistadoooor!
E foi assim que se passaram mais 2 horas de um dos 10950 dias, procrastinando a tese e a roupa por passar.
Valham-me os anos bissextos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)